Desporto

Ainda as eléctricas… FIM vs FMP

Ainda as eléctricas…

A FIM (Federação Internacional de Motociclismo) não proíbe, em Portugal a FMP (Federação de Motociclismo Portuguesa) não permite.

Depois de na temporada de 2023, no Campeonato Nacional, um piloto ter participado com uma eléctrica, o assunto foi abordado, pela primeira vez, na rede social Facebook, a 18 de Dezembro do mesmo ano, pelo responsável da equipa Penta-Control ao anunciar, na sua página, que as motas eléctricas ainda não estavam regulamentadas, por isso, não poderiam pontuar nas provas, nem participar nos campeonatos.

“Estou a falar de MX! Que ninguém se iluda! O tempo das elétricas ainda não está regulamentada. A nível de FIM e UEM.
A Penta-Control, obedece às hierarquias superiores. Pelo não hajam ilusões por parte de qualquer piloto para com estes campeonatos Penta-Control. Tudo obedecerá às regras, que neste capítulo tudo é, menos regulamentar. Não há regulamento para este tipo de motos para os campeonatos regionais. Assim não poderão este tipo de motos pontuar para as provas e muito menos para campeonato.”

No mesmo dia, saía o primeiro regulamento da FIM sobre este tipo de equipamento, com as exigências para que as motas eléctricas pudessem participar em provas:

Procedimentos para motocicletas eléctricas para organizadores e oficiais FIM 2024

Na sequência desta publicação e não havendo, até ao momento, qualquer posição da Federação de Motociclismo de Portugal (FMP), nem da Comissão de Motocross, a IRIS FM contactou, por e-mail, a 31 Janeiro 2024, a FMP e por telefone o presidente da Comissão, inserida na FMP, que em conversa telefónica e via SMS garantiu responder ao nosso e-mail, o que nunca aconteceu.

No entanto, nesse mesmo telefonema, explicou que “…na verdade não existe qualquer proibição, mas entendemos não estarem reunidas as condições para que eléctricas possam participar nos campeonatos em 2024, uma vez que não foi adquirida formação até ao momento por parte dos comissários de pista e restantes intervenientes nas corridas. A principal razão prende-se com a segurança…” e foi-nos ainda dito que nesse mesmo dia iria sair um comunicado com a posição da Federação, entidade responsável, que à nossa redação, só veio a responder a 20 de Fevereiro 2024, afirmando que as motas eléctricas não poderiam participar nos campeonatos nacionais de Motocross e Supercross de 2024 e remetendo-nos para o link do comunicado publicado no site e para o “REGULAMENTO CAMPEONATOS NACIONAIS 2024 MOTOCROSS E SUPERCROSS”.

Perante esta resposta, questionámos se só nos nacionais as eléctricas não seriam permitidas e foi-nos dito que “… as motas eléctricas só poderão participar nas classes Infantis e Iniciados do Campeonato Nacional de Trial Outdoor…” e mais um link, desta vez o do “REGULAMENTO CAMPEONATO NACIONAL TRIAL OUTDOOR 2024”.

Neste debate da participação das motas eléctricas nos campeonatos de Motocross e Supercross, as opiniões são várias e distintas.

No seguimento das notícias já avançadas pela IRIS FM, reunimos informação que mostra a controvérsia entre regulamentos e comunicados, mas a principal intenção é esclarecer e por isso apresentamos alguns pontos que entendemos serem importantes.

Em relação ao comunicado da FMP, lançado a 31 de Janeiro de 2024, a proibir as eléctricas de participarem nas competições nacionais e regionais de Motocross e Supercross na época desportiva de 2024, nomeia como principais razões a segurança de todos os envolvidos nestes eventos, risco de incêndio, equilíbrio de performances, afirmando neste ponto que muitas marcas oferecem, através de aplicações em smartphones, uma forma de alterar remotamente a potência das motocicletas, e insuficiente conhecimento técnico.

A respeito do equilíbrio de performances e da possibilidade da alteração remota da potência, a marca Stark Varg já tinha emitido um comunicado, aquando do lançamento das suas motas eléctricas, em que é explicado como limitar a potência das motas para cada classe e como verificar a potência utilizada pela mota:

Stark Varg Power Setting Confirmation Procedures

É de referir que as classes MXE e MXE/SXE constavam nos regulamentos de 2022 e 2023, respectivamente. No regulamento de 2024, a única referência a eléctricas está na especificação de que veículos eléctricos (assim como motorizados e bicicletas) não podem andar no Paddock, algo que nos regulamentos anteriores não constava.

Ainda de acordo com o comunicado “Procedimentos para motocicletas eléctricas para organizadores e oficiais FIM”, de Dezembro de 2023, da Federação Internacional de Motocross (FIM), a autorização da participação de motas eléctricas nos eventos de motocross e supercross está à escolha de cada entidade. “A elegibilidade de motocicletas eléctricas em eventos FIM, permanece sujeita à aprovação de cada Comissão FIM envolvida”.

Neste comunicado estão descritos os procedimentos a adoptar para promover a segurança dos pilotos e mecânicos e os equipamentos necessários como extintores para baterias de ions de lítio, tapetes de isolamento, ganchos de resgate, luvas de isolamento eléctrico, sapatos com solas isoladas e capacetes ou visores. A FIM recomenda cada equipa a levar os seus próprios EPI’s e as organizações a terem EPI’s disponíveis para os seus próprios colaboradores, excepto se, previamente, for acordado algo diferente. Na garagem principal são necessários desfibrilhador automático e kit de primeiros socorros para traumas.

A FIM lançou também outros dois comunicados que definem os regulamentos para motas eléctricas e as directrizes que devem seguir no seu fabrico para poderem participar nas competições como ter um bloqueador de potência, luzes indicadoras de segurança e possuir um disjuntor geral ou “parada de emergência”, no entanto, e em contacto com a fábrica, a marca Stark Varg não aconselha a fazer esse tipo de introduções, uma vez que a própria já o faz de forma automática, podendo alterar a segurança da mota.

Lá por fora, na Bélgica; Suíça; Espanha; Austrália; Itália; Alemanha e no Japão, as motas eléctricas já participam em competições e até protagonizam algumas como a FIM E-xplorer World Cup e a Swiss Moto E-Cup.

Damos como exemplo o que sucedeu na Suíça, um dos países que adquiriu formação.

Na primeira corrida, treze pilotos participaram em eléctricas, em classe separada, nas restantes corridas já correram juntamente com as de combustão.

No Japão, os portugueses experienciam a nova tecnologia. Na primeira ronda de FIM E-xplorer World Cup, no Japão, três portugueses fizeram parte da equipa oficial Honda com a Honda CR eléctrica.

O piloto de renome Stefan Everts, deu uma entrevista ao Sporta Daily em que afirma ser cada vez mais difícil encontrar pistas para treinar em Flandres (Bélgica) devido ao encerramento de várias pistas de motocross por causa de queixas de poluição sonora. Declara que considera que as eléctricas podem vir a ser o futuro do motocross, mas que as baterias ainda têm de ser melhoradas.

O piloto britânico, Jack Brunnel, da equipa Stark Future, venceu a Arenacross UK 2024, um campeonato em que motas eléctricas competem contra motas de combustão.

No seguimento destes eventos, a nossa redação contactou a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) a fim de esclarecer algumas dúvidas existentes. Em relação à proibição da participação das eléctricas nos campeonatos, sendo que a FIM é a entidade máxima, a resposta que obtivemos foi que “A FIM gere os seus campeonatos e os veículos que podem participar nos mesmos. Existem comissões técnicas que avaliam em permanência os veículos eléctricos que participam nos nossos campeonatos e que decidem se os mesmos cumprem com os requisitos técnicos e de segurança que são exigidos”.

Quanto à existência de alguma formação específica para formação das equipas em terreno para lidarem com este equipamento e à perigosidade das eléctricas, foi-nos indicado que a FIM elaborou um conjunto de documentos “com normas e manuais que são regularmente atualizados e que são, obviamente, partilhados com todos os intervenientes nestas competições” e os links para estes documentos, que são as actualizações mais recentes dos documentos previamente partilhados nesta notícia e que estão também disponíveis no site da FIM:

FIM – CTI Guidelines for Electric Motorcycles

FIM Electric Regulations 2024

Em relação às questões sobre os campeonatos nacionais, a FIM declara que “não tem poder e nem pode intervir na organização e regulamentação dos diversos campeonatos domésticos efetuados pelas federações nossas afiliadas.“

A IRIS FM pediu esclarecimentos, sem obter qualquer resposta:

  • Às federações: Federação de Motociclismo de Portugal, Fédération Motocycliste de Belgique, Real Federación Motociclista Española, Swiss Moto, Federmoto – Federazione Motociclistica Italiana, Auto-Cycle Union Ltd, Motorcycling Australia, Fédération Française de Motociclysme, Alemanha.

Ainda que não tenha existido resposta por parte das respectivas federações, sabe-se que a Suíça deu uma formação de um dia aos seus elementos e a Bélgica emitiu um regulamento próprio para a sua participação nas provas, contando com a presença de uma piloto no campeonato regional, em Espanha, França (Supercross e regionais), América (regionais), sem quaisquer constrangimentos e com bastante aderência.

  • Às equipas organizadoras: PentaControl, MX Ribatejo, Troféu Norte, Associação de Motociclismo da Madeira, Câmara Açores Motocross
  • À Comissão de Motocross.

 

Por fim realizámos um questionários a alguns pilotos (com e sem equipamento eléctrico).

  1.  Tem ou pretende adquirir mota eléctrica? Se sim, acha essas motos mais perigosas que as ditas normais?
  2. É a favor ou contra da participação das eléctricas em campeonatos de motocross?
  3. Como se justifica o facto da federação portuguesa de motociclismo apenas se pronunciar no final do mês de Janeiro, com os campeonatos à porta, e afirmar que esta proibição se deve à falta de formação e logística?
  4. Se a FIM – Federação Internacional, não proíbe, acha justo que a Federação Portuguesa o faça?
  5. Foi-nos afirmado pelo presidente da comissão de motocross que apenas nos campeonatos de enduro podem participar eléctricas, porque parte uma de cada vez. Como se justifica esta decisão, se as motas ficam em parques fechados durante 24 horas, todas juntas? Não há perigo de explodirem? Aqui a segurança é assegurada?
  6. Considera que as motas elétricas vão ser o futuro dos campeonatos ou no Motocross?
  7. É mais vantajoso andar de mota eléctrica em relação às de combustão, no seu ponto de vista?
  8. Sobre questões ambientais, (ou melhores condições ambientais), qual a sua opinião sobre o assunto?
  9. Conhece a realidade de outros países?

Rui Miguel

1. Não tenho e não pretendo adquirir, mas respondendo à questão, não acho mais perigoso.

2. Para já sou contra, não pela participação em si, mas por pontuar para as classificações. Ou seja, sou a favor de participarem na prova, mas não para a contagem do campeonato.

3. Não há justificação, estes tipos de motas já existem há uns largos meses, e claro, elas iam chegar a Portugal. Deviam ter pensado há mais tempo que este tipo de situação iria acontecer, quanto à formação, acho que deviam apostar mais em todos os aspetos, desde assistentes de pista até pilotos.

4. Sim, acho justo porque quem já andou sabe que tem uma certa vantagem para outras motas, daí a questão de não pontuar no campeonato. Acho que a federação devia manter assim este ano e no próximo ano fazer o teste de abrir esses novos horizontes.

5. Sinceramente, acho essa desculpa um pouco “esfarrapada” por parte da federação, lá está, se fosse pela parte da desigualdade sim, pela segurança acho que não. E mesmo no enduro acho que deveria ser mais penalizado.

6. Vivamente que sim, eu não concordo porque sou amante da adrenalina do som dos motores, mas como tudo a moda vai pegar.

7. Sim é, não tem o desequilíbrio do motor de uma mota a combustão, conseguem calibrar o motor para o que precisam, a desvantagem é o carregamento, mas também há soluções.

8. Prefiro não comentar.

9. Em certa parte sim, sei que outros países a federação limita as motas para ficar idêntico a uma 250cc ou 450cc, cá penso que não haja capacidade ou disponibilidade para isso, mas seria uma ideia interessante para ingressar as motas eléctricas no próximo ano.


Marco Garcia

1. Sim, tenho. Sou pai do piloto Rodrigo Garcia, atualmente com 6 anos, que competiu com uma no campeonato nacional MXE na passada época. Quanto à segurança, não tenho conhecimento técnico suficiente para me pronunciar sobre os riscos inerentes das baterias que equipam as motos eléctricas, mas convencido estou que são seguras, pois se assim não pensasse, não permitiria que o meu filho competisse com uma.

2. Relativamente a essa participação e no que às classes seniores diz respeito, serei a favor quando forem criadas condições que garantam a igualdade de prestação entre as motos eléctricas e a combustão, o que atualmente a federação (penso eu) não consegue garantir. Exemplifico: um piloto inscreve-se numa classe, MX2 e inicia a competição em modo de potência afeto a essa classe, mas no decorrer da competição, não há forma de garantir que essa potência não seja aumentada pelo próprio ou terceiros. Mais, a moto pode ser apresentada em verificações técnicas como estando limitada a utilização em apenas 1 modo de potência correspondente a classe em que pretende competir, mas o desempenho real da moto ser superior ao permitido. Exatamente como aconteceu com a manipulação dos motores diesel, no que aos valores de CO2 dizia respeito, sendo que no “nosso caso” essa manipulação seria de potência/prestação. Penso que a federação não está preparada nem dispõe de meios técnicos para garantir a igualdade entre as classes, sendo este, em minha opinião, o maior problema para que as elétricas não devam, de momento, ser consideradas elegíveis para competir com motos a combustão.

3. Essa afirmação não é correta. Em final do mês de novembro, fui informado pelo presidente da comissão de Motocross, o Hugo Santos, que as motos elétricas não seriam elegíveis para competir em 2024, sendo que essa informação também foi transmitida a pilotos com quem fui falando. No entanto, também é meu entendimento que a federação podia ter publicado o comunicado mais cedo, uma vez que saiu muito após a decisão estar tomada, desconhecendo eu a razão para que assim fosse. Tenha em atenção que esta proibição se refere apenas à classe de formação MXE, pois no que aos pilotos seniores diz respeito, penso que nada pode ser “proibido” porque essa classe não existe no regulamento nacional da modalidade. O que se verifica é que não será permitido nem criada, pelo menos em 2024.

4. Não tive acesso ao comunicado da FIM, pelo que pergunto: Pode um piloto competir no campeonato do mundo na categoria de MX2 com uma moto elétrica? Em Portugal e nas competições seniores, não conseguindo a federação garantir e verificar que a potência debitada durante uma corrida pelas motos elétricas corresponde efetivamente a classe em que competem, acho que, de momento a única decisão possível é não permitir, não criando essa classe, por forma a salvaguardar a verdade desportiva. De referir que, atualmente, esse problema não se coloca nas classes de formação, uma vez que as motos eléctricas existentes no mercado, têm uma prestação inferior as motos de combustão. Julgo que a federação poderia ter ponderado manter a classe MXE, mas também compreendo que a mesma sendo pouco expressiva e apelativa (as motos e os seus componentes são excecionalmente caros), aceito a decisão tomada. Assim dito, mais refiro que sou defensor que as mesmas possam ser elegíveis nas competições nacionais, desde que corram em conjunto e entre si, como se verifica noutros campeonatos apoiados pela FIM.

5. Essa, em minha opinião, não é a real questão a resolver. Mas se assim fosse, haveria fácil solução, bastando que se crie uma zona de parque fechado exclusivo a motos elétricas. No entanto, de referir que no enduro, o parque fechado também tem segurança permanente e incluem meios de combate a incêndio.

6. Considero que poderão, pelo menos, desempenhar um papel de relevo no que à prática do Motocross e enduro diz respeito. Atualmente, em alguns casos, representam o mais forte argumento disponível para combater as constantes e “alarmantes” restrições ambientais impostas a prática da modalidade e que tem encerrado vários circuitos, alguns míticos, um pouco por toda a Europa, sendo Portugal (ainda) uma exceção.

7. ⁠Depende do que se considera “vantajoso”. Tem vantagens como também tem desvantagens.

8. A resposta a esta questão está na pergunta 5 acima.

9. Sim, conheço.


Abel Carreiro Jr

1. Não tenho. Embora tenha sido fantástica a experiência a bordo de uma, não pretendo a aquisição de nenhuma devido ao seu enorme defeito de praticidade de utilização.

2. Sou contra, devido à inexistência de facilidades nos nossos complexos de suporte às mesmas, e à falta de formação de todos os fiscais de pista, que por serem voluntários, não têm qualquer formação do funcionamento das mesmas, pelo menos por enquanto. Porque quer queiramos quer não, o funcionamento das motas a motores de combustão é de certa forma cultura geral.

3. Não tenho nada a dizer sobre isto, nem tenho de o justificar, visto que não pertenço a nenhuma posição dentro da FMP.

4. A FIM não o permite. É só prestar atenção, o único campeonato mundial em que uma marca elétrica tentou entrar, foi o Mundial de SuperEnduro, e foi negada a participação por parte da FIM por razões de segurança.

5. Uma vez mais como afirmei na pergunta 3, não tenho, nem tenho que ter qualquer justificação para esta pergunta.

6. Não tenho a certeza. A mota ao nível da condução tem um enorme potencial, arrisco a dizer que foi a melhor mota que já andei, mas os defeitos que tem sobrepõem-se largamente às qualidades.

7. Em condução dentro de corrida, sim. Devido à não existência de mudanças e à entrega de potência linear da mota. Fora da mota, não há qualquer tipo de vantagem, muito pelo contrário.

8. A nível ambiental a eletrificação é a maior farsa da nossa atualidade. As motas são carregadas com geradores consumidores de combustíveis, e as baterias requerem uma estupidez de poluição para o seu fabrico.

9. Sei que em alguns Arena Cross em Inglaterra e França as mesmas são permitidas, mas apenas em campeonato local. São proibidas a nível mundial e europeu, assim como americano, que são os 3 pilares do motociclismo mundial.


Cátia Ayres

1. Sim, tenho. Não, acho que em ambas os perigos são igualmente existentes.

2. Sou a favor da participação das eléctricas nos campeonatos de motocross, especialmente pelo país pequeno que temos. Fala-se tanto em evolução, novas tecnologias, incluindo no desporto motorizado, e os “nossos” campeonatos já viram melhores dias, portanto deveria existir consideração e abertura nesse sentido.

3. Compreendo que nos últimos meses podem ter existido várias mudanças internas na FMP, mas nada justifica esta “proibição”, por falta de formação e logística por parte da mesma, uma vez que este assunto já não é novidade em Portugal há algum tempo! Temos o exemplo do piloto Mário Patrão que corre/corria com uma mota eléctrica nos diversos campeonatos nacionais há alguns anos, e/ou outro exemplo bem mais recente, a atribuição de um título nacional pela FMP, a um piloto na classe 50cc, que correu juntamente com motas a combustão. Fica aqui a questão no ar, como procederam devido à falta de formação e logística de todos os envolvidos? Portanto, acredito mais que houve falta de interesse e desconhecimento sobre este assunto, e pelas polémicas globais existentes, a decisão mais fácil de tomar, foi proibir.

4. Não, e aqui existe um contrassenso, já que afirmam em comunicados que seguem sempre as “regras/leis/regulamentos” da FIM.

5. No meu ponto de vista, julgo que existe um risco ainda maior, não pelo parque fechado ser coberto ou aberto como ocorre nas provas, mas sim pela quantidade de motas das diversas classes que o Enduro possui, chegando a ter em média 400 motas juntas.

6. Não. Considero que num futuro próximo será como outras modalidades, existindo um campeonato próprio, como já acontece com as inúmeras marcas eléctricas existentes, promovido pela FIM – World Cup – E-Xplorer, mas comparar Portugal neste campo atual com outros países, ainda estamos a largos anos de isso acontecer.

7. Para a minha experiência, é vantajoso em certos obstáculos, porque ainda tenho dificuldade na condução, especialmente no domínio do travão de trás, e no caso da minha mota eléctrica, tem a opção do travão de trás ser no lugar da embraiagem. Agora se o meu andamento aumentou? Se melhoraria os meus lugares em corrida? Não estou de fora para ver, mas acredito que não, porque contínua a ter que existir todo um conjunto de coisas para isso acontecer.

8. Qualquer veículo a motor/eléctrico, seja ele qual for em nada trás benefícios ambientais, no entanto não julgo que seja essa a questão que aqui se retrata.

9. Sim conheço, e por isso ainda menos entendo a posição da nossa Federação.


Daniel Pinto

Relativamente a este tema, acho de facto que deveria ser algo de bastante importância, pois mais uma vez, em vez de empreendermos e estarmos na linha da frente, escondemo-nos e deixamos para outros decidirem o destino da modalidade nacional. E adianto que não só nos escondemos como criamos falsas esperanças e estragamos sacrifícios de alguns pais em dar as melhores condições para os seus filhos, na chegada de mais uma época.

1. Sim, tenho uma moto eléctrica e não as acho mais perigosas do que as motas a combustão.

2. Sou a favor. Estas motos já estão a competir, em alguns dos campeonatos mais prestigiados do mundo tal como o Supercross do Reino Unido, e não vejo o porquê de não avançarem para outros campeonatos.

3. Tal como comentei no início, acho inclusivamente uma falta de respeito. Não falo de mim pessoalmente, que já não tenho a competição como um objectivo de vida, no entanto, alguns pais investiram em motos eléctricas juniores (talvez ainda como presente de natal), para os seus filhos puderem correr. Imaginar agora que vão ficar no mínimo 1 ano sem puderem entrar em competição, depois de no ano passado estas crianças já terem competido sem qualquer problema ou perigo para a competição e os seus intervenientes.

4. Não estou por dentro do assunto relativamente à FIM, no entanto, somos um país pequeno, que já teve classes onde tiveram de realizar apuramentos para se puder correr… Hoje em dia, juntam-se classes e mesmo assim não se enchem grelhas… Acho que deveriam ver mais à frente e tentar abraçar o maior número de pilotos para tornar o motocross mais apelativo novamente.

5. Mais uma vez não tenho informação para argumentar esta pergunta.

6. Penso que haverá sempre espaço para tudo. Inicialmente penso que podem correr juntas com as outras classes, contando para uma classificação geral e tendo ainda uma classificação separada só de eléctricas.

7. Sim, no entanto requer alguma habituação para nos tornarmos competitivos ao mais alto nível. Posso ainda dizer, que após 3 dias de testes, em pistas rápidas, sem grande precisão, consigo de facto ser tão ou mais rápido numa moto eléctrica. No entanto, em pistas mais lentas, com curvas bastante apertadas e regos, tenho sido mais rápido com motos a combustão, sendo até mais rápido nas motos mais lentas das classes seniores (125cc).

8. Podemos questionar relativamente ao custo e poluição de produção, no entanto, isso são dados que teriam de ser estudados muito detalhadamente desde o momento de fabricação até ao fim de vida da moto para se ter uma noção exacta. Desta forma, falando apenas do momento em que se compra a moto, sem qualquer dúvida que é algo muito menos prejudicial para o ambiente.

9. Como falei anteriormente, não é algo que tenha estudado afincadamente, no entanto, conseguimos ver alguns países a abraçar este projecto, tornando esta realidade possível e ajudando à mesma…. Por cá, vamos continuar atrasados no tempo à espera de ver o que acontece nos outros países… É uma pena.

Neste momento, como referi anteriormente, não tenho como objectivo de vida a competição. No entanto, gosto de o fazer sempre que possível. Comprei uma moto eléctrica para treinar, com custos de manutenção e operação mais baixos e tinha pensado comprar uma moto a combustão para fazer as corridas do nacional e regional… Mas com a decisão de não deixarem correr (nem as camadas juvenis) com as motos eléctricas, tal como fizeram no passado, acabei por decidir que, em princípio, não devo adquirir moto a combustão, nem participar nas corridas do campeonato nacional.


Manuel Gonçalves

1. Não tenho nem pretendo adquirir, pelo menos para já, uma mota eléctrica e, na minha opinião, não as vejo de maneira alguma mais perigosas.

2. Nada contra.

3. Um assunto como este que já vem a ser bastante abordado no ano passado, acho que deveriam se ter manifestado há mais tempo de modo a essa dita formação ser feita atempadamente.

4. Não.

5. Não vejo qual o sentido dessa afirmação até porque se algo acontecer durante o percurso, esse suposto risco de explosão, os meios de intervenção e ajuda iriam demorar muito mais. Em parque fechado para mim ainda menos sentido faz uma vez que a mota pode ser completamente desligada.

6. Como o futuro não vejo, mas como uma forte adesão sem dúvida. Ainda estamos muito no início e muito desenvolvimento e evolução deve ser feita.

7. Em alguns aspectos sim, noutros não.

8. Muitas condições ainda têm de ser criadas para que seja mais benéfico a nível ambiental. Infelizmente, grande parte dos circuitos de MX não estão equipados com corrente elétrica o que implica o uso de geradores para carregamento das motos, o que iria levar na mesma ao consumo de gasolina para a mota elétrica poder andar e o ruído seria muito maior uma vez que na pausa de almoço iríamos ter dezenas de geradores a trabalhar.

9. Sim, eu encontro-me a morar na Suíça, participo aqui nos campeonatos de motocross. Na época passada nos campeonatos regionais em algumas corridas já vimos motas elétricas e não houve qualquer problema. Para esta época a federação Suíça responsável pelo campeonato Inter já veio anunciar a criação de um campeonato para as motas elétricas, no entanto também alguns organizadores de campeonato regional informaram que não vão aceitar devido a essa dita falta de formação e logística. Infelizmente, a Suíça não tem quase nenhuma pista permanente, quase todas são feitas para o evento e nenhuma tem eletricidade, o que na minha opinião é uma contrapartida para o uso da mota elétrica, pois temos corridas com mais de 300 participantes e se o futuro for esse, teremos de ter mais de 300 geradores a trabalhar constantemente.

Assim concluo que não acho que se deva proibir, mas sim implementar, analisar e trabalhar para melhorar e garantir a igualdade e segurança de todos.


Mário Rui Ferreira

1. Sim, pretendo adquirir uma mota eléctrica! Não acho que as motas eléctricas sejam mais perigosas, muito pelo contrário.

2. Sim, sou a favor!

3. Não concordo com essa decisão. Deveriam ter anunciado previamente, visto que alguns pilotos já adquiriram a mota eléctrica, e assim sendo, não podem participar nas corridas. Como alternativa, poderiam criar uma classe externa só destinadas a estas motas.

4. Não! Existiriam, com certeza, outras soluções para que esses pilotos pudessem correr.

5. Não entendo o porquê de ser permitido nos campeonatos de enduro e nos de motocross não ser permitido. Na minha opinião, são motas seguras e fiáveis.

6. Sim, considero! Porque são motas muito competitivas.

7. Sim, são mais vantajosas porque são motas mais fáceis de conduzir, não têm caixa de velocidades, não têm embraiagem, têm uma potência instantânea à roda, são muito competentes. Fiquei muito surpreendido com o desempenho da mota!

8. A nível ambiental, as respostas estão á vista e são do conhecimento de todos.

9. Não. Nunca me debrucei muito nessa questão. No entanto, tenho curiosidade em perceber como funciona no estrangeiro.


Martina Fernandes

1. Não tenho mota elétrica, gostaria sim de adquirir uma mota elétrica. Não, estas motas não são mais perigosas que as ditas normais.

2. Sou a favor da participação das eléctricas em campeonatos de motocross.

3. Considero que é uma falta de respeito o facto da federação portuguesa de motociclismo apenas se pronunciar no final do mês de janeiro, pois as motas elétricas já estão no mercado há algum tempo e já se deveria ter pronunciado essa tal proibição há mais tempo.

4. Não acho justo, porque, se a Federação Internacional não proibiu então é porque não viu qualquer problema no uso de motas elétricas.

5. Esta decisão não faz qualquer sentido, porque se nos campeonatos de enduro as motas elétricas podem participar, no campeonato de motocross também deveriam participar, porque se existe perigos num local, também existem perigos noutros locais.

6. Considero que poderão não ser o futuro dos campeonatos, mas que muitas das pessoas irão optar pelo uso de motas elétricas, pois não emitem gases poluentes para o ambiente.

7. Sim, pois têm um menor impacto ambiental.

8. Considero que as motas elétricas têm um menor impacto ambiental, pois não emitem gases poluentes como as de combustão.

9. Não tenho muito conhecimento acerca deste assunto nos outros países.


Sandro Fernandes

1. Não considero que a mota seja perigosa. Também gostaria de adquirir uma mota eléctrica.

2. Sou a favor da participação das eléctricas em campeonatos de motocross.

3. A federação já deveria ter previsto a entrada dessas motas no campeonato, se o produto foi colocado à venda no mercado não se pode considerar que tenha falta de formação e logística.

4. Se nós portugueses seguimos o campeonato do mundo de motocross e o motocross Americano que são exemplo para nós se esses países não colocam obstáculos ao uso das motas elétricas porquê que nós portugueses iremos colocar.

5. Não tem lógica, participar no enduro onde a mota é mais exposta a situações adversas (ex.: rios, pedras, cepos das árvores, etc.), onde em pista de motocross não existe essas situações adversas.

6. Não considero que seja o futuro, mas muitas pessoas quando experimentarem vão adorar e vão pensar em adquirir.

7. Sim, devido às manutenções menos exigentes que as motas de combustão.

8. São menos poluentes do que as motas de combustão e não emitem som.

9. Não tenho muito conhecimento acerca deste assunto nos outros países.


Miguel Faustino

1. Sim, tenho mota elétrica. Não considero que haja motivos para se considerar mais perigosa do que as comuns motas a combustível.

2. Sou a favor da participação de motas eléctricas nos campeonatos de motocross e supercross.

3. e 4. – O motivo da proibição das motas eléctricas poderem participar no campeonato Nacional e Regional dado pela FMP não tem qualquer nexo. Percebe-se perfeitamente que com nenhuma vontade de alguém de estas motas participarem, foi feita esta barreira de acesso para a participação das mesmas, sem procurar solução de formação e condições para se puder concretizar.

5. Desconhecia essa informação. Se, então, as motas elétricas fossem perigosas para alguém como referido pela federação, em ambiente como do campeonato de enduro seria o caos e impensável de acontecer. A decisão de aprovar a sua utilização no campeonato de Enduro e proibir a utilização em motocross/supercross é completamente desproporcional à realidade de risco provável de algo caótico poder acontecer.

6. Talvez as motas eléctricas não consigam ser a totalidade da abrangência de um campeonato em si derivado ao seu elevado custo de aquisição. Na minha opinião, a mobilidade eléctrica neste desporto vai ter bastante tendência a aumentar consoante o passar das épocas. Este é o primeiro ano que temos motas deste tipo disponíveis. Os únicos que não acreditam no potencial delas, são pessoas ignorantes que rejeitam de todo experimentar. Pois após um breve test drive é impossível apontar qualquer desvantagem ou ponto negativo da mota elétrica.

7. A mota elétrica tem inúmeras vantagens à combustão. Potência sempre disponível, não depende de rotação. Não tem trocas de caixa de velocidades. Potência e regeneração 100% ajustável. No entanto, tal como em todas as outras coisas/veículos, vai haver pessoas que não se conseguirão adaptar às suas características e não conseguirão tirar partido das mesmas.

8. A nível de questões ambientais torna-se uma mota que poderá ser movida a energia verde, isto é, ser produzida através de painéis fotovoltaicos/aerogeradores e muitos mais métodos de produção de energia elétrica existentes. Não exige também revisões frequentes de óleo, filtros de óleo e filtros de ar.

9. Sim, cada vez mais se percebe de longe que tem sido uma realidade com uma tendência enorme a aumentar em países estrangeiros.


Pedro Silva

1. Já tenho uma e não acho em termos de perigosidade diferente das motas a gasolina.

2. Nada contra.

3. Na minha opinião, não me parece que a proibição seja justificada, pelo menos pela declaração que emitiram não tem lógica.

4. Mais uma vez parece uma proibição sem conhecimento e sem justificação plausível.

5. Pois se formos por esse ponto de explodirem, temos carros eléctricos em prédios, condomínios, estacionamentos de escolas, se calhar, também temos de proibir, se começam a explodir temos um caso grave. Também temos corridas de motas, motoGP com motas eléctricas, temos corridas de formula E, etc. Mais uma vez uma proibição não justificada sem conhecimento, aliás se formos ver no caso da minha moto já há milhares delas a andar e ainda não houve um caso de nenhuma explodir.

6. Se calhar, vai aproximar mais o desporto das vilas e aldeias, as pistas podem funcionar mais livremente por causa do barulho. O futuro não sei, mas é uma alternativa válida.

7. Sim, muito. Acho que quanto mais amador for o piloto, mais rápido vai conseguir andar em relação a uma moto de combustão, um piloto avançado não vai notar tanta diferença. A moto é mais fácil de andar, não há preocupação com embraiagem e mudanças, é só acelerar e andar.

8. Não tenho, comprei a moto para me divertir, foi só essa a minha preocupação. Em termos ambientais, temos de ter, em alguns casos, gerador ou consumir eletricidade da rede eléctrica, não poluímos de uma maneira, poluímos de outra.

9. Não, só o que vejo dos vídeos no YouTube. A moto Stark Varg tem sido muito bem aceite pela comunidade que já andou nela.


Rui Lopes

1. Não tenho, nem pretendo adquirir.

2. Sou a favor da participação.

3. Não acho justa a decisão tão tardia da proibição de participação. Penso que a “desculpa” da falta de formação e logística não passa disso mesmo, de uma desculpa. Não é aceitável que o órgão máximo do motociclismo em Portugal não esteja preparado.

4. Não acho justo que o façam.

5. É incompreensível a decisão que não possam participar na modalidade motocross, mas possam participar no Enduro. A situação de serem sujeitas a estarem em parque fechado poderá trazer mais problemas.

6. Poderá ser o futuro, depende da evolução das motas, mais concretamente autonomia das baterias.

7. Considero vantajoso.

8. A parte do andar de mota favorece as questões ambientais. No entanto, na minha opinião, se considerar todo o processo de fabrico ou o futuro da reciclagem de baterias não creio que seja benéfico.

9. Não conheço a realidade noutros países.


 

Perante este cenário, foram alguns os pilotos que ficaram de fora das provas já realizadas nesta temporada de 2024, e a IRIS FM sabe que muito dificilmente irão alinhar à partida em campeonatos realizados em Portugal, mesmo com a possível introdução das eléctricas num futuro breve.

Conclui-se que são cada vez menos os que mostram vontade em participar, porque são os pilotos que pagam as licenças, pagam as inscrição por prova, são os pilotos que mantém acesa a chama do motocross em Portugal.

No que diz respeito à nossa intenção, que tem como objectivo, esclarecer e somente isso, somos obrigados a acreditar que, quando tanto se criticam os órgãos de comunicação social pela ausência de notícias sobre desporto motorizado, nomeadamente o motocross, que também os responsáveis/entidades/organizações não estarão muito interessados em que isso aconteça, uma vez que quando é pedido um esclarecimento/parecer/opinião, por uma rádio que faz o acompanhamento de provas desportivas desta modalidade, os mesmos remetem-se ao silêncio.

A IRIS FM mantém-se no terreno em 2024.

Partihar

NO AR
91.4 FM
COM IRIS FM