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FJLP condena ataques à imprensa em Moçambique

A Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa (FJLP) condenou os “constantes e deliberados ataques às liberdades de imprensa” em Moçambique, apelando às autoridades locais que adotem uma “imediata vigilância” e esforços que garantam o “fundamental trabalho” jornalístico.

Num comunicado datado de segunda-feira e ao qual a agência Lusa teve hoje acesso, a FJLP, entidade internacional que reúne as representações dos jornalistas nas comunidades e países de língua portuguesa, com sede administrativa no Brasil, disse que avalia com “extrema preocupação” o incêndio, provocado por fogo posto, que destruiu as instalações da redação do jornal Canal de Moçambique e o diário CanalMoz no domingo, em Maputo.

A Federação mostrou-se também preocupada com as “recentes e arbitrárias” prisões e ameaças aos jornalistas nacionais e internacionais, bem como o desaparecimento do jornalista moçambicano Ibraímo Abu Mbaruco.

Segundo a direção do jornal Canal de Moçambique, desconhecidos atearam fogo à redação do jornal na noite de domingo, tendo sido encontrados bidões no interior da redação, um dos quais ainda com um pouco de combustível.

Os autores do incêndio terão introduzido os bidões de combustível no interior das instalações do jornal, depois de arrombarem a porta frontal do espaço.

Ibraimo Abu Mbaruco, da Rádio Comunitária de Palma, em Cabo Delgado, terá sido sequestrado ao final da tarde de dia 07 de abril em circunstâncias por apurar, disseram à Lusa, na ocasião, familiares e fonte do órgão de comunicação para o qual trabalhava.

Segundo a FJLP, os ataques à imprensa em Moçambique representam uma “manifestação de barbárie e configura-se como uma permanente ação de intimidação aos jornalistas, que ousam trazer à luz informações, especialmente sobre os meandros da corrupção”.

“As liberdades de imprensa e expressão em Moçambique estão ameaçadas, num Estado de direito em cuja impunidade dos perpetradores de constantes crimes contra jornalistas, infelizmente, permanece. Assim é urgente que as autoridades, com independência, especialmente o poder judicial, investiguem e punam severamente os responsáveis”, instou.

A FJLP exigiu ainda das autoridades, que “têm compromisso com a justiça e democracia, a cabal investigação e responsabilização dos criminosos”.

Várias entidades nacionais e internacionais já condenaram o incêndio à redação do Canal de Moçambique.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, também condenou e exigiu que os autores sejam levados à justiça.

O Canal de Moçambique é um dos principais semanários do país e tem-se destacado por trabalhar em matérias como corrupção e governação.

O jornal já foi várias vezes alvo de processos judiciais por alegada calúnia e o seu editor-executivo, Matias Guente, foi recentemente intimado pela Procuradoria-Geral da República para responder a perguntas sobre textos que o semanário escreveu envolvendo contratos na área de segurança entre o Governo e as multinacionais petrolíferas que operam na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.

A polícia moçambicana ainda não se pronunciou sobre o caso.