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Sudão avisa que barragem etíope no Nilo poderá ameaçar milhões de pessoas

O Sudão advertiu hoje que milhões de pessoas poderão enfrentar um “grande risco” se a Etiópia continuar a encher a controversa barragem que está a construir no Nilo, na ausência de um acordo com o Cairo e Cartum.

A tensão tem aumentado entre o Sudão, a Etiópia e o Egito, depois de as autoridades etíopes terem anunciado a intenção de encher o reservatório da Grande Barragem do Renascimento, apesar do fracasso das negociações tripartidas.

Numa declaração, o ministro da Irrigação sudanês, Yasser Abbas, anunciou que o seu país tinha enviado uma carta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, apelando para que impeça “todas as partes de tomarem medidas unilaterais, incluindo o enchimento do reservatório” antes de se chegar a um acordo.

O enchimento unilateral do reservatório “comprometerá a segurança da barragem sudanesa de Roseires e, portanto, exporá milhões de pessoas a grandes riscos”, advertiu Abbas, sem mais explicações.

A carta pede também ao Conselho de Segurança que “apele aos líderes dos três países para que demonstrem vontade política e empenho na resolução das poucas dificuldades ainda existentes”.

Cartum tinha proposto levar as discussões ao nível de primeiros-ministros.

O Egito, que considera este projeto como uma ameaça “existencial”, apelou na semana passada ao Conselho de Segurança para intervir.

Enquanto a Etiópia vê a barragem de 145 metros de altura como essencial para o seu desenvolvimento e eletrificação, o Sudão e o Egito receiam que possa restringir o seu acesso à água.

O Nilo, que percorre cerca de 6.000 quilómetros, é uma fonte essencial de abastecimento de água e eletricidade para uma dezena de países da África Oriental. O Egito obtém 97% das suas necessidades de água a partir deste rio.

Na quarta-feira, o ministro da Irrigação egípcio, Mohamed Abdelati, disse existir um acordo “sobre certas questões técnicas” durante as últimas conversações entre os três países, mas disse que persistiam “divergências jurídicas profundas”.

Segundo o governante egípcio, entre as principais discordâncias encontram-se “formas de mitigar a seca e a escassez de água durante os anos secos”.