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Cultura País

Descoberto primeiro sítio pré-histórico subaquático do país

Uma equipa de arqueólogos descobriu vestígios de uma mancha de ocupação ou possível acampamento do neolítico a cerca de dois metros de profundidade na Ria de Aveiro, em Ílhavo.

O neolítico não estávamos à espera e muito menos no sítio onde está”, avança Tiago Fraga, diretor científico da equipa de arqueólogos, sobre os vestígios daquele que será o primeiro sítio pré-histórico subaquático do país.

No âmbito do acompanhamento arqueológico dos trabalhos de dragagem no Canal de Ílhavo, também conhecido como Rio Bôco, foram encontrados em agosto passado vários artefactos datados entre 4.000 a.C. e 3.000 a.C. e uma estrutura que se encontra submersa.

“Inicialmente encontrámos cerâmicas com mamilos e decoração, que se vê claramente que são da pré-história. Mais para a frente, começaram a sair líticos, ou seja, pedras talhadas, percutores e esse tipo de materiais”, descreveu o arqueólogo.

“A linha do nível médio do mar estava a 60 quilómetros daqui [Rio Bôco], portanto, toda esta zona eram planícies que estão neste momento debaixo de água. Agora, não estávamos à espera de encontrar estes materiais, muito menos na zona do Rio Bôco, onde foram localizadas, e é o primeiro sítio pré-histórico subaquático do país”, disse Tiago Fraga.

A descoberta já foi comunicada à Direção-Geral do Património Cultural que irá determinar o que será feito relativamente ao local do achado.

Apesar de todo o património arqueológico subaquático que já foi encontrado na Ria de Aveiro, Tiago Fraga diz que ainda há muito por descobrir no fundo da laguna.

“Toda a gente sabe que existem mais de 14 naufrágios aqui e um deles é o mais antigo de Portugal – ainda está em sítio na zona do Canal de Mira. Sabemos o que se passa no Canal de Mira e, agora, apanhámos esta surpresa no canal do Bôco, mas não sabemos nada do que se passa na zona Norte, em direção a Ovar, que era o antigo canal da época islâmica e aí poderemos ter outras surpresas”, afirmou