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Tarifas de Trump colocarão economia norte-americana em risco de recessão

Há dias, os títulos do Tesouro americano de 10 anos passaram a ser negociados abaixo dos juros das Treasuries de dois anos, pela primeira vez desde 2005. A inversão é interpretada por investidores como um alerta importante de uma recessão da economia norte-americana.

Apesar de os conselheiros da Casa Branca terem aparecido ontem (18) em vários programas de televisão alegando que, “não vêem nenhum sinal da recessão”, os dados econômicos e a oposição, dentro dos EUA, à cobrança das tarifas sobre produtos importados mostram que a sobretaxa está aumentando o risco da economia norte-americana.

A curva de juros está diretamente ligada à expectativa de inflação. Ou seja, o rendimento a longo prazo tende a ser maior que o curto porque a expectativa normal é que a economia cresça. Se o título de curto prazo está maior, é sinal de que a expectativa do mercado é a de que a economia norte-americana não vá crescer.

Nos últimos 50 anos, a curva de juros aconteceu antes de várias recessões acontecidas nos EUA.

Outros dados justificam também a perda da vitalidade da economia americana. O PIB, por exemplo, cresceu 3,1% no primeiro trimestre deste ano. No segundo trimestre, esse ritmo caiu para 2,1%, e no terceiro trimestre, o crescimento do PIB americano foi de apenas 1,5%.

O comércio de mercadorias do país nos primeiros seis meses deste ano caiu 0,2% em comparação ao mesmo período do ano passado. As exportações declinaram 1%.

Sob tal contexto, se os EUA insistirem na imposição de tarifas sobre produtos chineses com valor de US$ 300 bilhões, subirão definitivamente os preços dos produtos a serem vendidos no mercado americano. Os importadores e consumidores norte-americanos é que pagarão.

Até o CEO da Apple, Tim Cook, advertiu que a sobretaxa prejudicará a competitividade da sua companhia. Mas certos políticos americanos optaram por fechar seus olhos, deixando ao lado os interesses do país e o bem-estar do povo.

Numa guerra comercial, não há vencedores.

Tradução: Inês Zhu

Revisão: Hilário Taimo