Olhar para o Oriente leva a Rússia a ver novas rotas de evolução

A cidade de Vladivostok, no extremo oriente da Rússia, será a sede do 4º Fórum Econômico Oriental, entre os dias 11 e 13 de setembro. O presidente da China, Xi Jinping, chefes de Estado e líderes dos países do Nordeste da Ásia, assim como delegações de mais de 60 países, confirmaram presença no evento. O Fórum bateu recordes quanto ao número e ao peso político dos participantes.

A organização do Fórum partiu de uma iniciativa do presidente russo, Vladimir Putin, em 2015. Trate-se de uma das decisões do quadro “Olhar para o Oriente”, adotadas sob o contexto da deterioração das relações da Rússia com os Estados Unidos e a Europa. A política de “Olhar para o Oriente” da Rússia é considerada o ajuste estratégico temporário para aliviar a pressão de sanções.

Alguns veículos de imprensa ainda demonstram ceticismo: a Rússia consegue ver o seu futuro quando olha para o Oriente? Contudo, nos últimos anos, com a aceleração dos passos russos rumo ao Oriente, a política têm demonstrado ser uma estratégia nacional de longo prazo.

Olhando para o Oriente, a Rússia vislumbrou os dividendos das cooperações sino-russas. Como maior parceira comercial da Rússia, desde o primeiro Fórum Econômico Oriental em 2015, a China enviou todos os anos delegações de alto escalão para acompanhar o evento. A participação do presidente chinês representa a estreia da China no Fórum Econômico do Extremo Oriente. O fato demonstra claramente a importância que a China dá à cooperação no Extremo Oriente.

As cooperações entre a China e a Rússia no oriente estão desempenhando um papel cada vez mais relevante na parceria estratégica abrangente. Neste momento, a China é o país da região com a maior fatia de investimento externo na Rússia. O valor total de investimento anual soma cerca de US$ 4 bilhões.

Atualmente, 26 empresas de capital chinês entraram na zona de desenvolvimento avançado, estabelecida para o desenvolvimento do Extremo Oriente e do porto livre de Vladivostok. Ao mesmo tempo, as duas partes estão impulsionando o projeto da ponte rodoferroviária que atravessa o rio Heilongjiang, na fronteira da China com a Rússia.

O objetivo consiste em aumentar plenamente o nível da conectividade de infraestrutura das zonas fronteiriças entre os dois países. Todas as ações indicam que o aprofundamento das cooperações sino-russas é um conteúdo importante da política russa.

Olhando para o Oriente, a Rússia também vislumbrou o espaço de ampliação das cooperações regionais do Nordeste da Ásia. O Fórum já foi realizado com êxito três vezes, gerando influências positivas na região. No Fórum do ano passado, os países assinaram acordos no valor total de 2,5 trilhões de rublos. O número poderá passar de 3,5 trilhões de rublos neste ano.

Olhando para o Oriente, a Rússia viu as oportunidades de desenvolvimento trazidas pelo expresso da economia da Ásia-Pacífico. A região possui recursos naturais abundantes, conhecido como o único tesouro que nunca foi explorada no mundo. Mas devido ao lento crescimento da economia, da falta de infraestrutura e da perda populacional, ela não pôde demonstrar seu sentido estratégico nem seu valor econômico. Baseado no desenvolvimento equilibrado entre o Leste e o Oeste, a Rússia elevou o desenvolvimento do Extremo Oriente para o nível de estratégia nacional.

Portanto, Olhar para o Oriente não significa que a Rússia abandonará o Ocidente, especialmente as cooperações com a Europa. O país olhará nas direções tanto do Oriente quanto do Ocidente. Entretanto, pela tendência da evolução, o olhar para o Oriente oferece uma visão mais ampla e uma paisagem mais bonita.

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