China está pronta para qualquer tempestade comercial

Os Estados Unidos ameaçaram impor uma nova rodada de tarifas de 25% sobre as restantes exportações chinesas de US$325 bilhões, cuja lista será anunciada em breve. A medida segue um aumento nas tarifas sobre os produtos chineses no valor de US$200 bilhões, de 10% para 25%. Paralelamente, a 11ª Rodada China-EUA de Consultas Econômicas e Comerciais de Alto Nível acabou de ser concluída em Washington D.C, com os dois lados concordando em continuar as negociações.

Mostrando disposição para discussões, os EUA ao mesmo tempo ameaçam elevar ainda mais as tarifas para os produtos chineses. Washington está claramente demonstrando uma postura de incentivo, na esperança de pressionar a China e testar os limites do lado chinês para ganhar uma vantagem na negociação. No entanto, em uma declaração feita após a 11ª rodada de negociações, o vice-premiê chinês, Liu He, enviou uma mensagem para o lado americano, deixando claro que a China tem “três preocupações fundamentais” sobre as negociações em curso, nomeadamente abolir todas as tarifas, garantir que os valores relativos aos contratos comerciais permaneçam em conformidade com a realidade e melhorar o equilíbrio do texto. A China nunca fará concessões sobre esses assuntos de princípios. Portanto, não importa quanta pressão o lado norte-americano possa colocar na China, não funcionou antes e certamente nunca funcionará, disse Liu He.

Olhando para o curso de mais de um ano de consultas econômicas e comerciais sino-americanas, os dois lados fizeram progressos consideráveise também sofreram vários contratempos. A China considera estas mudanças normais no processo de negociações intergovernamentais. A introdução de tarifas não é benéfica nem para a China nem para os Estados Unidos, e certamente não é boa para o mundo como um todo. A cooperação é a única escolha certa ante os dois países. No entanto, a cooperação não deve ser realizada às custas do abandono dos princípios. As “três principais preocupações” da China não podem ser contestadas.

Se o lado norte-americano insistir em continuar a impor tarifas, a China não terá outra escolha a não ser reagir de forma resoluta. O lado chinês reconhece que a introdução de tarifas pelos EUA é, de fato, uma ação contra a tendência atual e a opinião pública e, finalmente, resultará em vão.

De acordo com um relatório de pesquisa divulgado em fevereiro pela Trade Partnership Worldwide, se uma tarifa de 25% for imposta aos restantes US$325 bilhões em mercadorias chinesas, 2,1 milhões de empregos serão perdidos em um ano, e uma família americana de quatro pessoas terá que gastar mais 2.000 dólares anualmente.

Tendo que jogar na defesa em uma guerra comercial, a China sofrerá mais pressão econômica devido ao aumento de tarifas, mas essa pressão será administrável.

Em termos estruturais, o consumo representa 76,2% do crescimento do PIB da China, enquanto que o papel das exportações caiu para 17,9%. O consumo doméstico está rapidamente se tornando um forte pilar econômico, compensando as incertezas externas.

Em termos do volume de comércio, nos primeiros quatro meses deste ano, o comércio bilateral entre a China e os EUA caiu 11,2%. As exportações da China para os EUA caíram 4,8%, enquanto as exportações dos EUA para a China caíram 26,8%, o que sugere que os produtos norte-americanos são relativamente mais substituíveis no mercado chinês. Enquanto isso, o superávit comercial da China sobre os Estados Unidos cresceu 10,5%, o que mostra claramente que as tarifas não são a solução fundamental para enfrentar qualquer desequilíbrio comercial. De qualquer maneira, eles só aumentam o custo de vida para os consumidores dos EUA.

Além disso, nos primeiros quatro meses deste ano, o comércio com os EUA representou uma proporção menor do comércio exterior da China, uma queda de 11,5%. As importações e exportações chinesas com os seus principais parceiros comerciais na UE e na ASEAN mantiveram um crescimento rápido. Mais notavelmente, os volumes de comércio com os países do Cinturão e Rota aumentaram 9,1%, 4,8 pontos percentuais acima do crescimento global de 4,3% no comércio exterior da China. A carteira de parceiros comerciais da China está cada vez mais diversificada, assim como sua capacidade de assumir uma maior pressão e desafio. Caso os Estados Unidos decidam impor tarifas sobre todas as exportações chinesas, a China poderia muito bem encontrar outros compradores, ajustando a estrutura de seu comércio internacional.

Aumentar a pressão não funcionará. No que diz respeito a uma guerra comercial, a China deixou claro: não quer começar uma guerra comercial, mas também não hesitará em responder se não tiver escolha. A mensagem dos Estados Unidos é mista e ambivalente. Há tanto conversas duras quanto palavras queridas. A reação da China é clara: ela está pronta para negociações, e também para uma guerra comercial. Inevitavelmente na jornada de revitalização da nação chinesa, obstáculos e desafios se apresentarão. Uma guerra comercial lançada pelos Estados Unidos será um pequeno revés que a China terá que percorrer ao longo do caminho. A China sempre conseguiu transformar desafios em oportunidades, testar sua força e encontrar novas maneiras de crescer cada vez mais forte.

Quaisquer que sejam os desafios externos, é crucial que a China se concentre em seu próprio caminho, que é buscar o desenvolvimento de alta qualidade e o aprofundamento da reforma e abertura, pois assim como disse o presidente Xi Jinping: “A economia chinesa não é uma lagoa, mas um oceano. Ventos fortes e tempestades podem perturbar uma lagoa, mas nunca um oceano. Mesmo experimentado inúmeros ventos e tempestades, o oceano ainda estará lá!”

Tradução: Li Jinchuan

Revisão: Erasto

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